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Segundo dados da Agência Nacional de Saúde Pública Francesa, há menos casos de doenças respiratórias, como bronquites, e também gastroenterites, comuns durante o período do outono e inverno no país.
Essa diminuição também foi constatada pelo clínico-geral Jean Paul Hamon, presidente de honra da Federação dos Médicos franceses, um dos maiores sindicatos da categoria. Ele atende em média entre 150 e 200 pacientes por semana em seu consultório em Clamart, na região parisiense, e notou uma queda significativa dos casos de gripe, por exemplo. “As gastroenterites praticamente desapareceram, simplesmente porque as pessoas lavam as mãos”, disse, em entrevista à RFI Brasil.
Segundo a Agência Nacional de Saúde Pública Francesa, os casos de infecções intestinais, que podem provocar desidratação, caíram pela metade em relação ao mesmo período do ano passado. O órgão também constatou uma diminuição dos pacientes nos Prontos-socorros.
Jean-Paul Hamon conta que tratou apenas um caso de gastroenterite, em um adulto, nos últimos meses. “Fiquei tão surpreso que pedi um teste para a Covid-19” conta o médico. O resultado foi negativo. Os sintomas gastrointestinais, como náusea, diarreia ou vômito, são relativamente comuns em pacientes contaminados pelo SARS-Cov-2.
Em relação à gripe, o médico francês disse que ainda é cedo para tirar conclusões – o pico da epidemia geralmente ocorre no meio do inverno europeu, em janeiro. Outro fator a ser levado em consideração, diz, é a taxa de vacinação contra a doença, que está sendo maior do que de costume.
Em 2019, 47,8% franceses foram imunizados contra a gripe. O objetivo, neste ano, é que esse número chegue a mais de 70%. O clínico-geral francês critica, entretanto, a falta de organização do governo para garantir um número suficiente de doses.
“É verdade que as pessoas se vacinaram mais do que costume, mas o problema é que o Estado não encomendou a quantidade necessária de vacinas. Não temos doses suficientes para imunizar as pessoas mais frágeis”, diz. Algumas pessoas idosas, afirma, tiveram o nome anotado em longas filas de espera nas farmácias e não têm certeza de que poderão receber a imunização. “Em março não tínhamos máscaras, em setembro não tínhamos testes e agora não temos as vacinas contra a gripe”, alfineta.
O clínico-geral agora espera que as vacinas contra a Covid-19, se forem aprovadas, possam ser administradas a partir de abril para o "grande público", como anunciou o presidente francês, Emmanuel Macron.
A eficácia das imunizações na transmissão, e não apenas contra o desenvolvimento de formas graves da doença, também ainda deve ser comprovada e esclarecida para a população. Tudo levar a crer que, pelo menos neste inverno, as medidas de proteção como uso da máscara e a higiene reforçada, continuarão a ser adotadas. Isso, naturalmente, diminuirá a incidência de resfriados, dores de garganta e outras patologias benignas típicas do inverno.
Higiene na escola
Entre as crianças e adolescentes, as infecções virais e bacterianas também parecem ter diminuído neste ano, observa o médico francês, apesar de as escolas continuarem abertas. Os estabelecimentos são ambientes propícios para a circulação de qualquer tipo de vírus, mas o protocolo sanitário imposto pelo governo francês na luta contra a Covid-19 também acabou criando esse efeito colateral benéfico.
Para Hamon, as crianças são “sensíveis” às medidas de proteção. “Eles são conscientes da situação e do que está acontecendo. Convivem com os pais de máscara, pedindo para prestar atenção nos avós”, afirma.
As medidas de lockdown adotadas na França também ajudam na luta contra gripes, resfriados, gastroenterites e outros males, observa. Apesar de não serem drásticas, as restrições limitam a circulação, os encontros festivos e outras situações de risco. O clínico-geral francês cita como exemplo a bronquiolite, vírus comum nessa época do ano, que contamina principalmente bebês e crianças pequenas.
Ele diz ter constatado uma queda importante do número de casos. “Não tenho explicação, é apenas uma constatação. Não tratamos de praticamente nenhum caso de bronquiolite”, afirma, lembrando que as creches na França estão abertas desde setembro, o que facilita a circulação do micróbio.
O aparecimento de testes de antígenos, que diagnosticam a Covid-19 em poucos minutos, também surgiu como um aliado na gestão da epidemia e das doenças de inverno, lembra Hamon.
Mesmo em casos de sintomas leves, parecidos com o de um resfriado, e pouca febre, ele testa o paciente, e já sabe dizer, em poucos minutos se o mal em questão é um simples vírus invernal ou o temido SARS-Cov-2. “Mesmo com 30% de falsos negativos, um teste positivo já permite o isolamento”, lembra Jean-Paul Hamon.
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