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Podcast: O Mundo Agora
Episode:

O Mundo Agora - Mesmo com quebra de patentes, capacidade de produção de vacinas seria limitada em muitos países

Category: News & Politics
Duration: 00:04:53
Publish Date: 2021-05-10 09:49:27
Description: O posicionamento do Presidente americano Joe Biden de cogitar uma quebra de patentes para vacinas contra o Covid-19 gerou uma onda de questionamentos, especulações e debates nos Estados Unidos. Naturalmente, dada a complexidade do processo logístico de distribuição de vacinas e a dificuldade de acesso aos insumos para produções locais, a ideia parece lógica. Em tese, esse decisão beneficiaria países que se encontram em dificuldade de receber vacinas (como o Brasil, México e Argentina), além de possibilitar um incremento na produção local. Thiago de Aragão, analista político Na prática, as coisas não são tão simples. Existem dois pontos centrais que ilustram a dificuldade dessa ideia. Uma dentro do contexto científico e outra dentro do contexto político. No contexto científico, é importante lembrar que as vacinas não são iguais. As vacinas da Pfizer e da Moderna, por exemplo, são centradas em cima da tecnologia do RNA mensageiro, onde as informações genéticas de como combater o virus são transmitidas, via a vacina, para nosso sistema imunológico saber se defender. Mesmo com a quebra de patentes, a capacidade de produção em diversos países do mundo seria limitada, pois precisaria de equipe treinada e equipamentos específicos para produzir esse tipo de vacina. Se a produção dessa vacina se tornasse inviável a curto prazo, por dificuldades operacionais, como seria o posicionamento de alguns países para optar quebrar a patente de vacinas de maior "simplicidade" e não outras, mais complexas? China pode se servir da quebra de patentes  O segundo ponto, que tende a trazer mais dificuldades domésticas para Biden do que o primeiro ponto, é a questão do posicionamento histórico dos EUA em relação a quebra de patentes, assim como a defesa global de propriedade intelectual. Um dos pilares da narrativa contra a China por parte dos EUA vem sendo, justamente, a questão da propriedade intelectual e sua defesa. Esse é um dos argumentos mais sólidos dentro do contexto de acusação de espionagem industrial chinesa e da motivação por trás do offshoring (relocação de empresas americanas que produzem na China para produzir em outros países). Caso Biden estimule até o fim a quebra de patentes, a China certamente usará esse episódio, por mais nobre que seja, para tentar deslegitimar a narrativa americana de que esse país pratica a violação de propriedade intelectual, principalmente no campo tecnológico. A poderosa indústria farmacêutica americana também reagirá de forma contundente. O principal argumento será de que, com quebra de patentes, o incentivo para investir pesado em pesquisa e desenvolvimento de novos medicamentos será diminuído, prejudicando a inovação em cima da produção de novos fármacos. Por outro lado, os casos da Índia e do Brasil ilustram que a falta de vacinas e uma demanda global bem maior do que a oferta, acabam gerando tragédias humanas e seus efeitos não ficam restritos aos territórios onde o virus se espalha. Todos acabam afetados e qualquer solução que sufoque o avanço do vírus em qualquer país, é bem-vinda.
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