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Podcast: Nutrição e qualidade de vida
Episode:

Por que ceramidas na pele fazem bem e no sangue fazem mal?

Category: Health
Duration: 00:00:00
Publish Date: 2026-05-19 07:37:01
Description:

As ceramidas têm funções completamente diferentes dependendo de onde estão.

Na pele, elas são estruturais e protetoras.
No sangue e dentro de tecidos metabólicos, podem atuar como moléculas de estresse celular e inflamação.

Na pele: ceramidas fazem bem

A camada mais externa da pele, o estrato córneo, funciona como uma “parede de tijolos”.

Os “tijolos” são as células da pele.
O “cimento” entre elas é formado principalmente por:

  • ceramidas;

  • colesterol;

  • ácidos graxos.

As ceramidas representam cerca de 50% dos lipídios da barreira cutânea.

Funções:

  • reduzem perda de água;

  • mantêm hidratação;

  • protegem contra bactérias, fungos e irritantes;

  • diminuem sensibilidade e inflamação;

  • ajudam na cicatrização.

Quando faltam ceramidas na pele:

  • pele seca;

  • dermatite atópica;

  • eczema;

  • maior permeabilidade;

  • inflamação local.

Por isso cosméticos com ceramidas costumam melhorar a barreira cutânea.

No sangue e nos tecidos metabólicos: excesso pode ser ruim

Ceramidas também são produzidas dentro do organismo a partir de gordura saturada, excesso calórico e inflamação.

Nesse contexto, níveis elevados de ceramidas circulantes estão associados a:

  • resistência à insulina;

  • diabetes tipo 2;

  • esteatose hepática;

  • aterosclerose;

  • disfunção mitocondrial;

  • maior risco cardiovascular.

Elas funcionam como moléculas sinalizadoras de “estresse metabólico”.

Por que fazem mal metabolicamente?

Ceramidas em excesso podem:

1. Bloquear sinalização da insulina

Elas inibem a via Akt/PKB, fundamental para a ação da insulina.

Resultado:

  • glicose entra menos na célula;

  • aumenta resistência insulínica.

2. Prejudicar mitocôndrias

Podem:

  • aumentar espécies reativas de oxigênio;

  • reduzir produção de ATP;

  • favorecer apoptose.

3. Aumentar inflamação

Ativam vias inflamatórias como:

  • NF-kB;

  • inflamassoma;

  • citocinas pró-inflamatórias.

4. Favorecer aterosclerose

Certas ceramidas plasmáticas estão associadas a:

  • instabilidade de placas;

  • inflamação vascular;

  • maior risco de infarto.

Hoje existem até painéis laboratoriais de ceramidas para estratificação cardiovascular.

Então a ceramida é “boa” ou “má”?

Nenhuma das duas, pois depende:

  • do local;

  • da quantidade;

  • do tipo de ceramida;

  • do contexto metabólico.

Na pele:

  • são componentes estruturais essenciais.

No metabolismo sistêmico:

  • excesso geralmente sinaliza sobrecarga lipídica e inflamação.

É parecido com colesterol:

  • colesterol na membrana celular é essencial;

  • excesso oxidado em artérias é problemático.

O que aumenta ceramidas circulantes?

Principalmente:

  • excesso calórico;

  • gordura saturada em excesso;

  • obesidade visceral;

  • resistência à insulina;

  • sedentarismo;

  • inflamação crônica;

  • lipotoxicidade.

O que tende a reduzir?

  • exercício físico;

  • perda de gordura visceral;

  • melhora da sensibilidade à insulina;

  • dieta com menos ultraprocessados;

  • ômega-3;

  • melhora mitocondrial.

Alguns estudos também investigam:

  • berberina;

  • metformina;

  • polifenóis;

  • inibidores da síntese de ceramidas.

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Consultoria nutricional com Andreia Torres, nutricionista com mestrado, doutorado e mais de 20 anos de experiência profissional. https://andreiatorres.com/consultoria

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