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A inflamação é uma resposta do corpo a lesões ou infecções, essencial para a defesa e reparo tecidual. No entanto, se não for adequadamente controlada, pode levar a doenças crônicas. A resolução da inflamação é um processo ativo e regulado que permite ao corpo encerrar a inflamação de forma eficaz, restaurando a homeostase tecidual. Mediadores lipídicos: os "arquitetos" da resoluçãoDurante a inflamação, o corpo produz mediadores lipídicos derivados de ácidos graxos essenciais, como o ácido araquidônico e o ácido eicosapentaenoico. Esses mediadores, conhecidos como mediadores lipídicos pró-resolução, incluem lipoxinas, resolvinas, maresinas e protectinas. Eles atuam coordenadamente para resolver a inflamação sem suprimir a resposta imunológica necessária.
Collins, Carvalho, & Gilroy, 2023
Papel das lipoxinas, resolvinas e maresinasLipoxinas: Inibem a migração excessiva de neutrófilos, promovem sua apoptose (morte celular programada) e estimulam os macrófagos a fagocitar células mortas, facilitando a limpeza do local inflamatório. Resolvinas: Derivadas do ácido eicosapentaenoico (EPA), as resolvinas promovem a resolução da inflamação e a regeneração tecidual. Por exemplo, a RvD2 induz a resolução ativa da inflamação e a regeneração tecidual em lesões periapicais, enquanto a RvD1 controla o microambiente inflamatório em defeitos em calvárias, promovendo a cicatrização óssea e a angiogênese. Maresinas: Derivadas do ácido docosahexaenoico (DHA), as maresinas, como a MaR1, induzem a proliferação e migração de células-tronco mesenquimais, osteogênese e angiogênese em defeitos em calvárias, promovendo a regeneração óssea em defeitos craniofaciais e alveolares.
A falha na resolução da inflamação pode levar a condições como artrite reumatoide, doença inflamatória intestinal e aterosclerose. Compreender e manipular esses mediadores oferece novas perspectivas terapêuticas para tratar essas doenças. E quando a inflamação não se resolve?A inflamação falha em se resolver quando o equilíbrio entre sinais pró-inflamatórios e pró-resolução é perturbado. Algumas causas comuns incluem: Produção insuficiente de mediadores pró-resolução (SPMs) O corpo não consegue gerar lipoxinas, resolvinas, maresinas ou protectinas suficientes. Excesso de sinais pró-inflamatórios Citocinas como TNF-α, IL-1β e IL-6 continuam ativas por muito tempo, mantendo neutrófilos e outros leucócitos no tecido. Falha na fagocitose de células mortas Macrófagos não conseguem “limpar” neutrófilos apoptóticos ou restos celulares. Isso prolonga o estado inflamatório e pode induzir dano tecidual. Alterações metabólicas e oxidativas Estresse oxidativo, obesidade ou diabetes podem interferir na produção e ação dos SPMs. Infecção persistente ou estímulo contínuo Exposição constante a patógenos ou irritantes mantém a inflamação ativa.
Collins, Carvalho, & Gilroy, 2023
O que é inflamação crônica?Inflamação crônica ocorre quando o processo inflamatório não se resolve adequadamente. Em vez de desaparecer, ele persiste semanas, meses ou até anos, causando danos progressivos aos tecidos. Já vimos causas comuns: infecções persistentes, exposição contínua a toxinas, obesidade, estresse oxidativo, doenças autoimunes ou falha na produção de mediadores pró-resolução (SPMs). Consequências da inflamação crônicaDano tecidual progressivo Neutrófilos e macrófagos liberam enzimas e radicais livres. Isso destrói estruturas celulares e matrizes extracelulares. Ex.: na artrite reumatoide, destruição da cartilagem e do osso. Fibrose e cicatrização desordenada O tecido tenta se regenerar, mas com excesso de colágeno e matriz extracelular. Resulta em tecido cicatricial rígido que compromete função. Ex.: fibrose hepática em hepatite crônica. Alterações funcionais dos órgãos Inflamação crônica altera a função normal. Ex.: em doença inflamatória intestinal, absorção intestinal prejudicada; em aterosclerose, vasos rígidos e estreitos. Desregulação imunológica Ativação contínua do sistema imune pode levar a autoimunidade. Ex.: lúpus eritematoso sistêmico ou esclerose múltipla. Risco aumentado de câncer Inflamação persistente gera mutações e alterações no microambiente tecidual. Ex.: gastrite crônica por H. pylori aumenta risco de câncer gástrico. Metabolismo alterado Inflamação crônica está associada a resistência à insulina, obesidade e doenças cardiovasculares. Ex.: citocinas inflamatórias interferem na sinalização da insulina e no metabolismo lipídico.
Como reduzir a inflamação crônicaPode existir necessidade de uso de medicação antiinflamatória que bloqueia citocinas ou enzimas que perpetuam a inflamação (como COX-2 em certos contextos) cria um ambiente favorável à ação dos SPMs. Uso de precursores de mediadores lipídicos importantes: Aprenda mais no curso Dieta antiinflamatória
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Consultoria nutricional com Andreia Torres, nutricionista com mestrado, doutorado e mais de 20 anos de experiência profissional. https://andreiatorres.com/consultoria |