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A Doença de Alzheimer (DA) é muito mais do que um simples "esquecimento com a idade". Trata-se de uma doença neurológica crônica e progressiva que afeta milhões de pessoas no mundo todo. Mas afinal, o que causa essa doença? Por que os neurônios morrem? E qual é o papel da genética nisso tudo? O que acontece no cérebro com Alzheimer?Na DA, os neurônios — células fundamentais do cérebro — morrem lentamente, prejudicando funções como memória, raciocínio, linguagem e até movimentos. Isso ocorre por dois motivos principais: Acúmulo de placas senis, compostas por fragmentos da proteína beta-amiloide (Abeta); Formação de emaranhados neurofibrilares (NFTs) com a proteína tau hiperfosforilada.
Essas alterações comprometem o funcionamento das células, afetam as mitocôndrias (usinas de energia celular), desregulam o cálcio e iniciam um processo de apoptose — a morte celular programada. A genética também conta: os genes ligados à Doença de AlzheimerCerca de 1 a 5% dos casos de Alzheimer são familiares e têm início precoce (antes dos 65 anos). Estudos revelam quatro genes principais relacionados a essa forma hereditária: 1. APP (proteína precursora do amiloide)Esse gene está envolvido na produção da beta-amiloide. Mutações no APP podem resultar em fragmentos mais longos e pegajosos da proteína, que se acumulam em placas tóxicas no cérebro. A mutação Val717Ile (V717I) é uma das mais comuns. 2. PSEN1 e PSEN2 (presenilinas 1 e 2)Esses genes afetam a enzima gama-secretase, responsável por “cortar” a APP. Quando mutados, favorecem a produção do tipo mais tóxico da beta-amiloide, o Abeta42. Mutações como rs28936379 e rs63749851 estão associadas à forma hereditária da doença. 3. APOE (apolipoproteína E)Especialmente a variante APOE ε4, está fortemente associada ao risco aumentado de Alzheimer de início tardio. O papel das caspases e da proteína CASP3Um dos caminhos que levam à morte dos neurônios é a ativação das caspases, enzimas que desencadeiam o processo de apoptose. A CASP3, em especial, é como uma “executora” celular — ela cliva proteínas-chave e ativa outras caspases. A ativação anormal da CASP3 está associada à morte neuronal em Alzheimer. Além disso, ela está envolvida na clivagem da própria APP, criando ainda mais beta-amiloide. APP e angiopatia amiloide cerebral: mutações além do AlzheimerAlém da Doença de Alzheimer, algumas mutações no gene APP também causam uma condição chamada angiopatia amiloide cerebral hereditária, que leva a derrames cerebrais e demência. Veja algumas mutações identificadas: E22Q (holandesa) E22K (italiana) E22G (ártico) D23N (Iowa) L34V (Piedmont)
Essas mutações geram formas de beta-amiloide que se acumulam nos vasos sanguíneos, enfraquecendo suas paredes e causando sangramentos no cérebro. O corpo tenta se defender: o gene NFE2L2O gene NFE2L2 é um fator de transcrição que ativa a produção de antioxidantes naturais. Ele protege as células dos danos causados pelo estresse oxidativo — que está presente na inflamação e morte celular em Alzheimer. Por isso, há pesquisas em andamento sobre medicamentos que ativam a via do NFE2L2 como possível estratégia terapêutica para doenças neurodegenerativas. A ciência tem avançado muito no entendimento da Doença de Alzheimer, especialmente na genética e nos mecanismos celulares envolvidos. Embora ainda não exista cura, esses avanços abrem caminho para diagnósticos mais precoces e terapias personalizadas.
Genes associados com eventos neuropatológicos na DA. Os quatro genes clássicos associados à DA familiar estão na caixa azul, enquanto outros novos genes relacionados à DA esporádica estão nas caixas vermelhas (Andrade-Carrero et al., 2023).
Manter o cérebro ativo, adotar um estilo de vida saudável e, no futuro, realizar testes genéticos poderão ser passos importantes para retardar ou até prevenir o Alzheimer em algumas pessoas. Aprenda mais sobre o cérebro em https://t21.video.
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