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Podcast: Nutrição e qualidade de vida
Episode:

Genética e obesidade

Category: Health
Duration: 00:00:00
Publish Date: 2025-06-02 14:53:36
Description:

O artigo “The Role of Epigenetics in Hypothalamic Energy Balance Control: Implications for Obesity” revisa como mecanismos epigenéticos — como metilação do DNA, modificações de histonas e regulação por RNAs não codificantes — influenciam o desenvolvimento e a função do hipotálamo, órgão central no controle do balanço energético, fome, saciedade e gasto calórico. Essas alterações podem programar uma predisposição à obesidade, especialmente quando ocorrem em períodos críticos como gestação, infância ou puberdade.

A obesidade é uma condição multifatorial, influenciada por uma interação complexa entre fatores genéticos e ambientais. Em casos de obesidade severa, a influência genética pode ser muito grande, com estimativas de herdabilidade variando entre 60 a 80%.

Obri, & Claret, 2019

Alterações nos genes LEP, LEPR, POMC e MC4R afetam diretamente a regulação do apetite pelo hipotálamo e estão associadas a formas monogênicas de obesidade.

O hipotálamo é uma região do cérebro fundamental na regulação de diversas funções do corpo, incluindo o apetite e o controle da fome. Ele atua como um centro integrador que recebe sinais do corpo sobre o estado energético e, com base nisso, regula o comportamento alimentar.

Hipotálamo e Controle do Balanço Energético

O hipotálamo integra sinais periféricos (leptina, insulina, grelina) com sinais centrais para:

  • Regular apetite (via núcleos arcuato, PVN, LHA)

  • Controlar gasto energético

  • Manter homeostase glicêmica e lipídica

Essa regulação depende da correta expressão de genes específicos nas vias anorexígenas (POMC, CART) e orexígenas (NPY, AgRP).

Mecanismos Epigenéticos Principais

O termo epigenética foi usado pela primeira vez em 1942 pelo cientista Conrad Waddington. Ele o definiu como a área da biologia que estuda como os genes interagem com outras substâncias do corpo para formar as características de um organismo (o fenótipo).

Mais tarde, essa definição foi atualizada. Hoje, epigenética se refere às mudanças na forma como os genes são ativados ou desativados, que podem ser herdadas, sem que haja alteração na sequência do DNA. Essas mudanças podem ser causadas por fatores ambientais (como alimentação, estresse ou poluição) ou por experiências vividas nos primeiros anos de vida.

Imagine que o DNA é como um livro de receitas que contém todas as instruções (genes) para fazer o corpo funcionar. Cada página do livro representa um gene.

Agora, a epigenética funciona como marcadores feitos com post-its ou canetas nesse livro. Esses marcadores podem destacar, riscar ou dobrar certas páginas. Isso significa que algumas receitas (genes) podem ser ligadas (ativadas) ou desligadas (silenciadas) — sem alterar o conteúdo original do livro.

Esses marcadores podem ser colocados ou removidos ao longo da vida por causa de coisas como a alimentação, o estresse, a poluição, ou até o carinho que alguém recebeu na infância. E, em alguns casos, esses marcadores podem até ser passados para os filhos, mesmo que o DNA (o livro) continue exatamente o mesmo.

Atualmente temos bem descritos na literatura científica 3 mecanismos epigenéticos, ou seja, 3 mecanismos que são capazes de alterar a expressão de nossos genes sem alterar a sequência das bases:

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