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Guten Morgen, Brasilien! Enquanto o Brasil vira do avesso com seu conflito entre Congresso e STF, a América ainda tenta se curar de sua ressaca com a eleição de Donald Trump com mais vodka. A onda da vez são as tais #FakeNews, as marcações que o Facebook colocará em alguns sites por divulgarem "notÃcias falsas" que poderiam ter afetado o resultado das eleições.
Tudo se deu porque o quadro de Hillary Clinton foi pego de surpresa, junto com quase toda a mÃdia mundial (basicamente um telefone sem fio do que dizem CNN, New York Times e Economist), a respeito do resultado das eleições americanas.
Nossa vaidade (mas também nosso realismo) não cansa de repetir: nós acertamos. Será mesmo que foram as #FakeNews que definiram o resultado do pleito que sagrou Donald Trump como presidente americano e futuro provável homem mais poderoso do mundo? Não será algo mais grave: a mÃdia tradicional, a grande mÃdia arcaica, perdeu completamente a credibilidade da população, inclusive suas "pesquisas" de opinião que querem, na verdade, manipula a opinião pública, num processo de datafolhização do mundo?
Sem credibilidade, os grandes e velhos veÃculos querem se livrar da concorrência que a internet permite: os pequenos sites e mesmo blogs que, com pesquisas de estro próprio, acertam muito mais, explicam muito mais, não usam o vocabulário anódino da censura do politicamente correto e ganham muito mais credibilidade da população. Assim, se estes sites produzem um conteúdo que a mÃdia não considera "verdadeiro", entra em conluio com grandes empresas como o Facebook para impedir que sua narrativa dos fatos seja cotejada, colocada em perspectiva, comparada com outras e, afinal, desacreditada. Assim, qualquer informação que não esteja numa CNN ou New York Times ou numa Rede Globo ou Folha de S. Paulo será marcada como #FakeNews.
Problema número 1: e o cabedal de notÃcias falsas veiculadas pela grande mÃdia e pelos sites e blogs que fizeram torcida organizada por Hillary Clinton, juraram de pés juntos que o Brexit era uma idéia de "extremistas" que nunca ganharia o plebiscito e que o acordo de paz com os terroristas das FARC era uma coisa maravilhosa a ser celebrada? Serão todos marcados como #FakeNews?
Se for assim, temos uma sugestão: este Senso Incomum acertou tudo o que projetou. Nós podemos resolver o problema marcando quem errou enquanto acertamos como #FakeNews. Que tal? Podemos começar com todos os que erraram sobre 2016 enquanto acertamos todos os detalhes. Quem vai sobrar além de nós? Basta lembrar de Folha, Independent, NY Post e tantos outros caindo em um boato ridÃculo sobre a CNN ter veiculado meia hora de sexo explÃcito hardcore ao invés de sua programação. Quem mais analisou a situação além de nós?
Problema número 2: se "notÃcias falsas" existem (existem mesmo nesse número? são capazes de definir resultado de eleições? vêm todas da "extrema-direita"?), é um problema menor do que todas as notÃcias do mundo serem filtradas por burocratas e pessoas que nem conhecemos para que acreditemos no que é verdade ou não. Como já avisamos aqui (!), é o Ministério da Verdade e da Felicidade Virtual. Afinal, quem é melhor para dizer a você o que é verdade: você mesmo e suas sinapses, ou quem Mark Zuckerberg e quem mais errou na mÃdia mandar você acreditar?
Isso tudo, e mais Braincast, fÃsica quântica, Santo Agostinho, Chapecoense, mitologia e a morte de Fidel Castro neste episódio do Guten Morgen, o podcast do Senso Incomum. A produção é de Filipe Trielli e David Mazzuca Neto, no estúdio Panela Produtora. Guten Morgen, Brasilien! |