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Artes - Lucie Antunes: “Electrão livre” da música electrónica francesa

Category: Arts
Duration: 00:12:25
Publish Date: 2021-10-27 10:01:03
Description: Lucie Antunes é o “electrão livre” da nova cena musical electroacústica francesa. Em palco, experimenta, surpreende, propõe. Baterista e percussionista de formação clássica e contemporânea, a jovem artista inspira-se nos pioneiros do minimalismo para experimentar novos horizontes sonoros. Não tem medo de ir buscar coisas à rua para as integrar nas suas composições, como “ready mades” musicais que abalam códigos e notas académicas. Lucie Antunes é um dos nomes que sobe ao palco, a 13 de Novembro, do centro cultural Cenquatre, em Paris. Mas foi horas antes de encher a sala La Cigalle, no âmbito do festival MaMA, em Outubro, que a artista falou com a RFI sobre liberdade e música. “Sempre fui um electrão livre. Estive em orquestras e podia ter tido uma carreira com mais dinheiro e mais estabilidade, mas isso é uma falta de liberdade total para mim. Adoro a orquestra, mas há forçosamente um maestro que te diz o que deves fazer. Há também condições, nem é tanto o maestro que me incomoda, são as condições porque é muito académico e eu não sei fazer isso, preciso de liberdade, sou mesmo um electrão livre. A pop é porque sempre gostei, sempre ouvi, nomeadamente a musica electrónica – que é o que mais defendo – e gosto tanto da música clássica, como da electrónica, como da contemporânea, como da erudita.” Chamemos-lhe, então, o “electrão livre” da nova cena electroacústica musical francesa. Em palco, experimenta, surpreende, propõe. Entre veludo e estridências, entre chapas de metal e sons electrónicos. Lucie Antunes tem uma forte ligação a Portugal e um apelido que herdou do pai. Compreende a língua paterna mas prefere expressar-se em francês, muito mais natural quando quer falar de algo que também faz parte do seu ADN: a música.   Baterista e percussionista de formação clássica e contemporânea, Lucie Antunes inspira-se nos pioneiros do minimalismo para experimentar novos horizontes sonoros. Não tem medo de ir buscar coisas à rua para as integrar nas suas composições, como “ready mades” musicais que abalam códigos e academismos. “Tento seguir o trabalho de John Cage na exploração de sonoridades. Procuro metais que não são instrumentos, mas que vão ajudar a explorar novas reverberações nas ressonância. Há toda uma pesquisa em torno do metal, por exemplo, para saber onde colocar o microfone porque também há todo um trabalho de microfones que vão fazer soar um dado instrumento. E se eu juntar o metal num conjunto com músicas electrónicas à volta, ele vai ocupar muito espaço e assim não se pode meter um simples micro, é preciso micro-sensores que se colam directamente e que não se deixam parasitar pelos sons exteriores. Tudo isto é uma pesquisa que faço com metais, como pedaços de chapa, com tubos. Depois, como no trabalho de John Cage, há a preparação dos instrumentos, por exemplo, vou colocar objectos em cima do vibrafone para o fazer vibrar. É realmente este trabalho que gosto de fazer. Por exemplo, tenho uma versão deste álbum com três músicos mas também com sete músicos e estou a trabalhar com uma tuba, que vamos usar no segundo disco, dentro da qual vamos pôr um microfone concebido especialmente para isto e depois vamos usar um pedal de efeitos. Isto são pesquisas de materiais. O John Cage não trabalhava com pedal de efeitos, o que eu tento é trabalhar com o que a pop, o rock trouxeram, mas sempre baseando-me no que aprendi a fazer no conservatório.”   Lucie Antunes sublinha que não está aqui para inventar nada, simplesmente para continuar as pesquisas iniciadas pelos pais do minimalismo. “O meu principal objectivo não é inovar, ou procurar inovar. Eu acho é que não devemos hesitar em continuar as pesquisas que foram feitas pelos nossos antecessores ou então continuar o que eles fizeram. Por exemplo, há um artista que adoro, que se chama Chassol, com quem trabalhei também, e adoro o trabalho dele. Ele não esconde que as suas pesquisas se inspiram - como eu aliás - em Steve Reich com o lado vídeo e teclados. É muito importante. Podíamos dizer ‘Ai, ele copia o Steve Reich, mas isso já foi feito’. Isso não interessa. Que óptimo que haja artistas que o imitem. Eu tenho músicas que são mesmo baseadas em Steve Reich e não tenho problema nenhum em dizê-lo. Como sou super fã do trabalho dele, digamos que o amplifico. E isso foi difícil para mim porque no Conservatório há muitos códigos e coisas que não podemos fazer. Para sair disto, é quase preciso criar novas leis.” Depois do conservatório, a jovem artista trabalhou com nomes como Moodoïd, Aquaserge, Yuksek e Susheela Raman e apesar de se ter lançado a solo, em 2019, sempre se rodeou de colaborações com músicos como Chassol, Vincent Segal, Halo Maud, Julien Gasc, François and The Atlas Mountains… O primeiro álbum, intitulado Sergeï, surge em 2019 e é um trabalho que ela descreve como cinematográfico, com camadas de sons acústicos a vibrarem com batidas electrónicas, em crescendos poéticos e ritmos orgânicos que redundam em pausas catárticas. Uma música instrumental para quebrar fronteiras e géneros. “Eu diria que é um álbum mais cinematográfico, tem imensas imagens. O segundo vai ser muito mais terra a terra. Claro que há sempre imensas imagens na minha música porque não sei compor de outra forma. Mas penso que se compreende bem a ligação entre o primeiro e o segundo disco, não há nenhuma mudança radical porque isso não sei fazer, mas o primeiro era mais cinematográfico, talvez um pouquinho mais erudito porque havia mais ritmos assimétricos. Aqui brinquei menos com isso. No primeiro, havia uma pesquisa sonora muito intensa - no segundo também mas é completamente diferente. Vai ser mais metálico, com texturas bastante diferentes.” “Vamos gravá-lo no início de Novembro. Vamos gravar as novas músicas que estão escritas e todas as maquetes estão prontas. Vamos gravar e entrar numa etapa que eu adoro que é a construção das músicas. Há uma nova que tocamos ao vivo e ao tocá-la ao vivo também experimentamos tudo o que vamos poder fazer no estúdio. O primeiro álbum é bastante diferente do espectáculo ao vivo. Foi composto com muita precisão e no palco reorquestrámo-lo completamente. Agora, gostaria que o espectáculo e o disco se parecessem mais. Vai ser mais electrónico. Mais electrónico mas não forçosamente nos sons, mais numa espécie de transe. É o que posso dizer para já.”
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