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Description:
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 Olha.
Ouve.
Sente.
Fecha os olhos.
Já nem sabes quem és.
Viste e ouviste demais.
A dor que sentes não é minha nem tua.
É de quem morreu,
De quem sentiu um dia e deixou de sentir,
Nos braços de alguém que nem conhecia.
Voa, sonha, dorme.
Pode ser a última noite.
Mas esta noite nunca mais acaba!
Não consegues escapar ao frio,
Ele invade a tua mente.
Foge!
O teu coração parou de bater.
Ri!
Finge que és a mesma pessoa que se despediu dos seus.
Finge!
E sorri,
Ainda que essa dor não cesse,
Ainda que te perguntes:
O que faço aqui?
Quem sou com esta arma na mão?
Atirador, coveiro,
Criador de viúvas e órfãos?
Criador?!
Mãe… eu apenas queria ser poeta.
Ser cientista de palavras.
Sonhar por desejo e não por necessidade…
Pesadelo!
Sim, o fim da vida envolve-me,
A sua música também.
Sinfonia real, divina e demoníaca.
E tu, estranho, quem te dará a morte,
Essa Oferenda dos deuses,
A clara manhã por que tanto esperas?
Amo o sofrimento, ainda quero esperar
A lua que ilumina o sufocante manto.
A réstia de esperança.
Espero viver moribundo,
Carregando o sofrimento alheio no meu peito.
E, agora, espera.
Deixa aquela lágrima que guardaste dentro de ti
Cair.
Ergue-te!
Sente o sangue a correr, uma última vez…
Psiquedelicous |