|
Procedimento estético deve ser realizado com aval de otorrino, explica a especialista Suzy Vieira, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. A maioria dos pacientes que procura um cirurgião plástico para operar o nariz quer diminuí-lo de tamanho. Mas a decisão não pode ser apenas estética e baseada no "gosto" do freguês, já que há riscos para a saúde respiratória, lembra a cirurgiã plástica Suzy Vieira. Alguns problemas devem ser corrigidos durante o procedimento, explica a especialista. Um deles é o desvio de septo, que ocorre quando a estrutura que separa as duas narinas não é reta. Em situações como essa é necessário que a operação seja feita em dupla, ou seja, com a participação do otorrino e do cirurgião plástico. “Muitos problemas estéticos decorrem de um desvio do septo. Não adianta mexer na estrutura externa se o nariz internamente está comprometido. Ele é sustentado por ossos e cartilagem, e o aspecto interno pode comprometer também o externo”, detalha a cirurgiã. Pacientes com outros problemas, como a hipertrofia dos cornetos nasais, também devem ficar atentos: a rinoplastia, em certos casos, pode piorar os sintomas. Os cornetos são pequenas estruturas de osso, tecido e mucosa que aquecem e humidificam o fluxo de ar do nariz que é levado para os pulmões. Se forem estreitos demais, podem atrapalhar a respiração e gerar problemas nos dentes e até no maxilar. Pessoas alérgicas, que têm rinite, por exemplo, também podem ter mais incômodo depois da operação, assim como os chamados “respiradores bucais”. Análise da situaçãoA síndrome, gerada pelo aumento das amídalas ou da adenoide, atrapalha a passagem do ar pelo nariz e é comum em crianças. Se não for tratada, ela pode continuar gerando sintomas na idade adulta. Em geral, a pessoa respira e dorme de boca aberta. De acordo com a médica, por esses motivos, o cirurgião plástico e o otorrino devem fazer a operação juntos. “Às vezes não é só fazer a rinoplastia externa, é necessário corrigir internamente”, sublinha Suzy Vieira. Por isso a avaliação de um otorrino e sua presença no bloco operatório são essenciais, avalia. “Essa não é uma prática recente, mas o que é recente é a análise da situação antes da operação. Existe um procedimento chamado nasofibroscopia, que é uma espécie de câmera que entra pelo nariz e examina a parte interna, o que não conseguimos fazer no consultório de cirurgia plástica.” Maioria dos pacientes tem problema funcional De acordo com a cirurgiã, cerca de 90% dos pacientes têm um problema funcional, ou seja, necessitam da presença de um otorrino para operar o nariz. As rinoplastias também evoluíram, diz. Hoje, o nariz pequeno e arrebitado não é mais uma regra nas cirurgias estéticas, e deixou de ser um padrão, como foi o caso por muitos anos. “Com o passar dos anos, viu-se que isso não era adequado, nem esteticamente. As cirurgias nasais passaram então a ser preservadoras”. Isso significa que os cirurgiões não aceitam; ou pelo menos não deveriam, mudar o rosto sem observar as proporções, baseando-se apenas na ideia do que é considerado esteticamente bonito para o paciente. A decisão do formato dependerá, diz Suzy Vieira, da estrutura da face. “O nariz é um dos componentes do rosto, então a gente analisa como um todo. Às vezes o paciente acha que o nariz é grande, mas, na verdade, ele não tem queixo, por exemplo, e é isso que causa essa impressão, diz. Em todo caso, o número de cirurgias vem aumentando, conta Suzy, e isso aconteceu inclusive durante a epidemia de Covid-19. "Aproveitando" o lockdown, muitos pacientes puderam passar o pós-operatório, que gera muito inchaço e deforma o rosto por alguns dias, escondidos atrás das máscaras. “As pessoas que sempre desejaram operar o nariz se esconderam na máscara para fazer o procedimento e ninguém perceber”, conta Suzy, citando o caso de muitos pacientes. Ela lembra que, de todas as formas, é necessário um ano para que o resultado final da plástica seja visível. |