Search

Home > Saúde > Governo francês propõe enviar futuros clínicos gerais para residência em áreas rurais
Podcast: Saúde
Episode:

Governo francês propõe enviar futuros clínicos gerais para residência em áreas rurais

Category: News & Politics
Duration: 00:06:56
Publish Date: 2022-10-11 10:52:08
Description: A falta de médicos em algumas regiões na França preocupa as autoridades de saúde do país. O problema afeta principalmente áreas rurais, mas também atinge cidades. A região de Île-de-France, por exemplo, onde está localizada Paris, é tida como o maior “deserto médico” do país. O termo, traduzido de forma literal, é usado pelos franceses para designar áreas onde há carência de médicos e outros profissionais da saúde. De acordo com a Agência Regional da Saúde, 96,3% dos moradores de Île-de-France moram em locais onde há um número insuficiente de clínicos gerais. A situação não deve melhorar: o número de estudantes que se formam nessa especialidade em Medicina continua insuficiente para atender a demanda. Uma das pistas do governo francês é aumentar em um ano o tempo de estágio dos futuros médicos que pretendem se tornar clínicos gerais. A residência passaria, dessa forma, de três para quatro anos, e esse período  seria validado, de preferência, na zona rural. A ideia, apresentada durante o Conselho de Ministros sobre o orçamento da Seguridade Social francesa, no final de setembro, é vista com maus olhos pela categoria, explica Raphael Presneau, presidente do Sindicato autônomo que representa os médicos-residentes em clínica geral na França. Ele critica a “falta de escolha” embutida na medida, apesar dela não ser obrigatória. Medida gera protestos A proposta levou os médicos residentes franceses às ruas de Paris, no final de setembro. Segundo Presneau, ela pode tornar ainda mais precário o cotidiano dos médicos recém-formados, que, na França, ganham pouco e chegam a trabalhar mais de 24 horas sem repouso. “Nas condições que a proposta está sendo apresentada para a gente, é inaceitável. Não conhecemos os detalhes, quais são as circunstâncias e não há garantias sobre como será o acompanhamento", disse em entrevista à RFI. Na França, todo paciente depende de um clínico-geral para poder se tratar, consultar um especialista ou pedir reembolsos da Seguridade Social para realizar determinados tratamentos relacionados, por exemplo, a doenças crônicas, como o diabetes. Mas faltam profissionais e cerca de 6 milhões de franceses não têm clínico geral. Em Seine Saint Denis, na região parisiense, cerca de 93% da população enfrenta esse problema no cotidiano. Em Paris, a situação é totalmente diferente e contrasta com as dificuldades vividas pelos pacientes de cidades próximas: em cada esquina há um consultório e eles vivem lotados, já que as pessoas vêm de outras cidades buscar atendimento médico na capital. A título de exemplo, um estudo mostrou que há três psiquiatras para cada 100 mil habitantes na região Seine et Marne, a cerca de 50 quilômetros da Paris. Na capital, em contrapartida, existe um “excedente” de 1.119 médicos. Apesar reconhecer a desigualdade no acesso à saúde, o representante do sindicato critica a solução apresentada pelo governo sem que seja definido em detalhes, o conteúdo pedagógico do quarto ano de residência. Ele também teme que a medida se torne obrigatória com o tempo. “Hoje o governo pode alegar que as medidas vão incitar os estudantes a atuar em outras regiões, mas já há parlamentares que defendem a inclusão de uma emenda no projeto de lei do Financiamento da Seguridade Social para transformar a proposta em uma obrigação”, explica. Gerenciar problemas graves sem supervisão Questionado sobre o porquê da recusa dos futuros médicos se instalarem em áreas mais afastadas, Raphael Presneau argumenta que é preciso se lembrar que os residentes ainda estão em formação e precisam de professores para acompanhá-los no cotidiano e em suas práticas. Ele teme que a inexperiência coloque em risco os pacientes. “É fora de questão, para os pacientes e os residentes, ter que gerenciar, sozinhos, uma situação grave sem professor para supervisionar, para nos formar, e com quem trabalhar. Simplesmente não é possível”, diz. “Não é dessa maneira que vamos motivá-los a trabalhar nessas regiões, enviando para locais com condições precárias de atendimento”, declara. Ele reitera que o problema está na pouca quantidade de médicos formados. Há poucas vagas nas faculdades de Medicina e a demanda será, dessa forma, sempre maior do que o número de profissionais habilitados a exercer a profissão. “Mudar de região ou cidade é um projeto de vida. Não podemos simplesmente mudar as pessoas de cidade aos 35 anos. Muitos residentes têm filhos e família, e cônjugues que já têm uma vida profissional estabilizada onde estão”, resume. Mas para Gilles Noel, presidente da associação dos prefeitos de áreas rurais na França, essa medida é essencial para acabar com a desigualdade no acesso à saúde dentro da França. “Há dez milhões de franceses que vivem nas áreas rurais onde o acesso à saúde, podemos dizer, é de qualidade inferior à média do país.” Para atrair os futuros médicos, ele sugere a atribuição, por exemplo, de moradia gratuita para os médicos-residentes. Uma vantagem que, atualmente, não seduz a categoria.
Total Play: 0

Some more Podcasts by France Médias Monde

1K+ Episodes
Todos os pro .. 300+     50+
1K+ Episodes
Noticias de .. 400+     100+
300+ Episodes
Economia 300+     80+
300+ Episodes
O Mundo Agor .. 20+     6
70+ Episodes
Curso de Fra .. 10+     3
600+ Episodes
Artes 200+     30+
50+ Episodes
Lição de f .. 40+     10+
50+ Episodes
Ciência e T .. 30+     10+