Search

Home > Saúde > Covid-19: vacinação frequente é inviável a longo prazo, diz epidemiologista francês
Podcast: Saúde
Episode:

Covid-19: vacinação frequente é inviável a longo prazo, diz epidemiologista francês

Category: News & Politics
Duration: 00:08:17
Publish Date: 2022-01-18 13:06:35
Description: A chegada da ômicron, mais contagiosa, e a conclusão de que as vacinas agem por tempo limitado contra a transmissão do SARS-Cov-2, as infecções trazem novos questionamentos: como controlar a propagação do vírus evitando que os hospitais fiquem saturados? Taíssa Stivanin, da RFI O infectologista francês Benjamin Davido, consultor para as questões ligadas ao Covid no hospital Raymond-Poincaré, em Garches, na região parisiense, lembra que a proteção das vacinas a base de RNA mensageiro tem prazo de validade e precisa ser reforçada com frequência, principalmente com a chegada de uma nova cepa, como é o caso da ômicron. Estudos mostram que a proteção contra uma infecção pela ômicron dez semanas após a terceira dose, cai, em média de 75% para 45%.   As vacinas evitam formas graves e mortes por um período ainda indeterminado, mas, não impedem a contaminação.  O laboratório Pfizer já anunciou que prepara um imunizante específico contra a variante. Além disso, diz o infectologista francês, há dúvidas sobre o nível de ativação da memória imunológica proporcionada pelo produto, essencial para proteger o indivíduo contra infecções. “Não podemos vacinar toda a população a cada três meses, é impossível. Ainda mais em países com acesso restrito à vacinação, muitas variantes circulando e reticências em relação à imunização”, ressalta Davido. Vacinas produzidas com proteínas recombinantes, utilizadas em produtos como a Novavax, por exemplo, também podem ser uma arma importante na luta contra a Covid-19, principalmente se atuam no reforço da imunidade celular, mediada pelos linfócitos T e seus subtipos. Elas utilizam uma tecnologia mais clássica, e seu impacto na resposta imunológica ainda precisa ser avaliado. Gestão a longo prazo O infectologista francês lembra que as vacinas a base de RNA continuam sendo um avanço científico importante, mas a duração da proteção é um aspecto que não pode ser descartado na gestão da epidemia a longo prazo. Ele também ressalta que a maioria dos pacientes hospitalizados são não vacinados ou tomaram a última injeção há mais de meses e têm fatores de risco. Por isso, diz, é fundamental proteger os mais vulneráveis, que continuarão a ser alvo do SARS-CoV-2 apesar do acesso à imunização, e ficarão mais expostos com a diminuição das medidas restritivas e dos lockdowns. Para Davido, também é importante que a vacinação esteja aliada a tratamentos complementares. “Essa doença não é uma gripe, longe disso, mas teremos provavelmente ondas sazonais e as mesmas ferramentas que já temos contra a gripe: uma vacinação anual e antivirais para os pacientes que precisam e são mais frágeis. ” O vírus, lembra, não desaparecerá. Haverá novas ondas e novas variantes devem surgir, embora uma epidemia,  “não dure para sempre”. Ômicron é mais leve? A situação na África do Sul, onde a ômicron foi descoberta em novembro, e no Reino Unido, mostram que a nova cepa provoca menos hospitalizações. Pesquisas demonstram que é provável que ela atinja menos os pulmões. Nesse contexto, a gestão da epidemia pode mudar, lembra o infectologista francês. “Uma questão que podemos colocar é se a ômicron não está reescrevendo a história natural dos vírus. Em geral existe uma atenuação da virulência ao longo das ondas epidêmicas. Em sua forma original, o novo coronavírus matou primeiro os mais vulneráveis e isso é uma espécie de seleção natural”, diz. Benjamin Davido lembra que o vírus, para se propagar de forma eficaz, deve se adaptar e driblar a proteção adquirida pela vacinação e as mudanças de hábitos, que incluem o uso das máscaras e o distanciamento social. Para isso o SARS-CoV-2 deve perder as características de um vírus letal e se transformar em um vírus com proteínas que o ajudem a aderir melhor às células do hospedeiro e contaminá-lo com mais facilidade.“Na realidade, uma das principais características de um vírus que se propaga nessa velocidade, e que já superou a delta e que já havia superado outras variantes, é a atenuação da virulência em detrimento da contagiosidade", explica. Imunidade dupla Essa foi, aliás, uma das hipóteses levantadas pelos cientistas, diz o infectologista, lembrando que a estratégia da vacinação foi acertada, com o objetivo de proteger as pessoas que correm risco de desenvolver formas graves. “Uma das possibilidades, e precisamos nos preparar para ela, é que a ômicron continuará a matar, todos anos, pessoas de determinados grupos.  Será necessário considerar que esse número é aceitável e conviver com essa ideia, dentro de uma estratégia de proteção e vacinação” O infectologista francês não descarta a possibilidade, otimista, da aquisição de uma imunidade “dupla” que alie vacinação e infecções naturais. Há esperança, diz, que o SARS-CoV-2 se torne endêmico neste ano e essa seja a última onda. Isso significa que, a exemplo da gripe, ele se tornará um vírus sazonal, atingindo certas populações mais frágeis.“Dificilmente teremos um botão de liga e desliga. O vírus não vai desaparecer. É, provavelmente, um vírus que encontrará um alvo dentro da população e que veio para ficar."
Total Play: 0

Some more Podcasts by France Médias Monde

1K+ Episodes
Todos os pro .. 300+     50+
1K+ Episodes
Noticias de .. 400+     100+
300+ Episodes
Economia 300+     80+
300+ Episodes
O Mundo Agor .. 20+     6
70+ Episodes
Curso de Fra .. 10+     3
600+ Episodes
Artes 200+     30+
50+ Episodes
Lição de f .. 40+     10+
50+ Episodes
Ciência e T .. 30+     10+