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Podcast: Saúde
Episode:

Saúde - Algoritmo de inteligência artificial antecipou disseminação do coronavírus em Wuhan

Category: News & Politics
Duration: 00:05:07
Publish Date: 2020-02-11 09:18:55
Description: Como saber qual será o potencial de disseminação de uma doença? Profissionais da saúde apostam em ferramentas de inteligência artificial para antecipar medidas de prevenção. É o caso do algoritmo preditivo concebido pela empresa canadense BlueDot – criada por Kamran Khan, professor de Medicina e Saúde Pública da Universidade de Toronto, no Canadá. A ferramenta foi uma das primeiras a identificar a existência do coronavírus, que já matou milhares de pessoas na China. Cerca de uma semana antes da Organização Mundial da Saúde (OMS) alertar sobre a emergência do novo vírus, em janeiro, o sistema da BlueDot detectou na web informações em chinês que circulavam em Wuhan, berço da epidemia do coronavírus. Os relatos captados no dia 31 de dezembro de 2019 mencionavam pacientes que teriam contraído uma misteriosa pneumonia em um mercado local de venda de animais. “Essa foi nossa primeira pista de que alguma coisa estava acontecendo. Não sabíamos, naquele momento, que isso se transformaria em uma epidemia internacional, mas que havia uma relação entre o mercado e as infeções”, explicou Khan à RFI Brasil. A empresa, de 40 pessoas, emprega médicos, veterinários e biólogos que rapidamente fizeram uma associação ao risco de um vírus emergente transmitido de um animal silvestre para o humano. O algoritmo de inteligência artificial criado pela companhia é capaz de analisar centenas de milhares de documentos disponíveis na rede, em 65 idiomas diferentes, 24 horas por dia. A ferramenta busca detectar sinais sobre diferentes doenças em tempo real e as analisa fazendo previsões. No caso do coronavírus, para prever como ocorreria a disseminação, o algoritmo cruzou os dados on-line públicos vindos de Wuhan com os das companhias aéreas que fazem voos comerciais e os metadados de cerca de 400 milhões de celulares conectados em todo o mundo. Esse smartphones fornecem dados dos deslocamentos de seus usuários, sem identificá-los, através da geolocalização. Rapidamente o sistema analisou os itinerários e destinos e identificou os locais onde potencialmente seriam registrados os primeiros casos do coronavírus no exterior, como Tóquio, Hong Kong, Taipei e Bangoc. A descoberta foi publicada no Journal of Travel Medicine, da universidade de Oxford. A informação sobre uma potencial epidemia também foi enviada para os clientes da empresa – principalmente governos e instituições interessados em antecipar ações de prevenção. “Também coletamos informações de satélites em tempo real. Isso é importante não somente para o coronavírus, mas também outros tipos de doença”, explica o professor canadense. Khan cita como exemplo a epidemia do vírus Zika, em 2016. “Se um viajante contaminado ia para uma área do mundo onde o clima não era apropriado para a reprodução do mosquito – a temperatura era muito fria ou quente, por exemplo, isso influenciaria a transmissão. Incorporamos esses diferentes fatores no sistema para detectar as doenças, mas também antecipar onde elas teriam potencial para causar um impacto significativo”, detalha. Antecipação Kamran Khan conta que, há 17 anos, quando começou sua carreira em um hospital de Toronto, viveu de perto a epidemia de Sars (sigla em inglês para síndrome respiratória aguda grave), que deixou mais de 800 mortos. “O que aprendemos é que as informações às vezes chegam tarde demais. “Também aprendemos que a Internet, por si só, pode ser um meio importante de coleta de informações sobre doenças e infecções que estão surgindo no mundo”, lembra. O sistema também utiliza informações veiculadas por jornalistas locais ou relatórios médicos públicos que descrevem sintomas e tratamentos de uma doença nunca vista antes. Os dados também são provenientes das pesquisas feitas pelos internautas nos motores de busca, fóruns e blogs, que são tratadas pelo algoritmo. A ferramenta exclui somente o conteúdo das redes sociais por considerá-lo “enganoso”, em razão da circulação da grande quantidade de fake news. Disseminação “Tentamos antecipar como será a disseminação da doença porque sabemos que, durante as epidemias, tempo é tudo, é uma questão crítica. Estava em Toronto em 2003 e não sabíamos nem o que estavam provocando as contaminações, até as crianças serem atendidas nos hospitais.” Ele se lembra que a epidemia causou um verdadeiro caos em Toronto, paralisando a cidade durante quatro meses - 44 pessoas morreram, incluindo funcionários de hospitais, sem contar as perdas econômicas. “O que precisamos fazer é antecipar e não reagir”, defende. O professor da Universidade de Toronto explica que, por essa razão, os principais clientes da empresa são agências governamentais, companhias aéreas e, mais recentemente, hospitais. “Quando uma pessoa está contaminada, com uma doença séria, ela vai ao Pronto-Socorro. É muito importante que médicos e enfermeiras tenham a habilidade de reconhecer uma doença que nunca tenham visto antes e saibam como agir diante da situação", afirma. "Os médicos que estão na linha de frente podem ser contaminados e morrer. Precisamos que eles saibam proteger a si mesmos e seus pacientes, prevenir o atendimento no hospital e as chegadas nas cidades", avalia. Na França, o médico parisiense que atendeu os primeiros pacientes contaminados pelo novo coronavírus também foi infectado pela doença. Ele reconhece, entretanto, que por enquanto é difícil prever como será a disseminação do coronavírus, por conta das medidas de restrição de viagens adotadas por diversos governos. As pessoas não estão se deslocando da mesma maneira como viajam normalmente, afirma Khan. Segundo ele, a empresa tem acesso aos metadados de milhões de internautas que confirmam essa informação. Ele ressalta que as informações não estão associadas a nenhum perfil, para justificar o uso desses dados e possíveis críticas à invasão da privacidade, mas servem apenas para monitorar os deslocamentos. “Somos capazes de entender, quase em tempo real, como a população está se movimentando pelo mundo”, diz. Mas, segundo ele, como se trata de um novo vírus, ainda é difícil afirmar, por exemplo, se as quarentenas como a adotada pelo governo francês, que isolou os cidadãos que estiveram em Wuhan durante 14 dias, são suficientes para conter o contágio. “É este o desafio com o qual estamos lidando.”  
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