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Podcast: O Mundo Agora
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Estudo faz paralelo entre desmatamento e diminuição das chuvas

Category: News & Politics
Duration: 00:04:51
Publish Date: 2023-03-06 19:29:20
Description: Uma equipe da Universidade de Leeds, na Inglaterra, quantificou pela primeira vez a perda de chuvas nas florestas tropicais em relação ao desmatamento. Já havia relatos dispersos sobre a diminuição das chuvas em áreas desmatadas. Mas o estudo da universidade britânica mediu com critérios científicos esse paralelo.  O estudo mostrou que quando a área desmatada passa de 50 km² a perda de chuvas no microclima regional passa a ser mais significativa. Se a área desmatada chega a 200 km², para cada 1% de perda na floresta há uma perda correlata de 0,25% na quantidade local de chuva. Isto se deve ao fato de que nas florestas tropicais a quantidade de chuva depende também da quantidade de evaporação de água propiciada pela própria floresta. Segundo o professor Dominick Spraklen, um dos membros da equipe, dependendo da região amazônica de 25% a 50% da quantidade de chuva se deve a esta reciclagem da água feita pela própria floresta. O estudo levanta a hipótese de que a floresta amazônica pode estar perto de perder a quantidade de chuva necessária para sua sobrevivência. O alerta se estende às outras duas grandes florestas tropicais no mundo: a da bacia do Congo, na África, e a da Indonésia, na Ásia. E o estudo demonstra que a diminuição das chuvas nas florestas tropicais também afeta negativamente a agricultura e a qualidade vida nas cidades que as bordejam. Pior seca em 500 anos Entretanto, o problema da água não se restringe às áreas tropicais. Ele também se manifesta em regiões temperadas, como a Europa. Os cientistas estimam que a seca de 2022 no continente foi a pior em 500 anos, afetando gravemente rios de Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha, e também de outros países. Mas o problema é mais grave do que se pensava porque não se refere apenas à água de rios e lagos na superfície. Um estudo da Universidade de Saskatchewan, no Canadá, com base em dados obtidos através do sistema norte-americano e alemão de satélites conhecido como GRACE, mostrou que há uma perda significativa de água nos aquíferos subterrâneos europeus. Em parte, esta perda se deve à falta de água ou de sua má distribuição na superfície, forçando agricultores e regiões urbanas a explorarem mais intensamente os reservatórios subterrâneos. Segundo dados do GRACE cerca de 30% do território europeu padece de problemas com a água durante todo o ano, e os outros 70% pelo menos durante os meses mais quentes. O problema é mais grave nas ilhas do Mediterrâneo e nos países continentais do sul da Europa. O estudo mostra que desde o começo do século XXI a perda anual de água no continente europeu é de 84 gigatons por ano. Um gigaton equivale a um bilhão de toneladas de água. A perda anual equivale a um lago Ontário, entre o Canadá e os Estados Unidos, que tem quase 19 mil km². Os cientistas envolvidos na pesquisa atribuem a perda à combinação do aquecimento global que, segundo eles, provoca uma distribuição muito desigual de chuvas, e à maior intensidade na exploração dos aquíferos subterrâneos. A distribuição desigual das chuvas pode ser catastrófica, provocando inundações em alguns locais e secas extremas em outros, além de dificultar a reposição das reservas em aquíferos. Poluição provocada pelo homem intensifica o problema O problema se complica mais ainda devido a práticas humanas, tanto nas áreas rurais como nas urbanas e industriais, que poluem sistematicamente as águas disponíveis. O seu enfrentamento depende tanto de soluções técnicas quanto de políticas adequadas de controle sobre os poluentes - os químicos e seus distribuidores humanos. No segundo semestre deste ano, a Organização das Nações Unidas realizará uma segunda conferência mundial sobre o tema em Nova Iorque. As dificuldades de se obter um grande acordo mundial sobre o tema são enormes, sobretudo no que se refere aos aquíferos subterrâneos, porque eles são invisíveis a olho nu. Bem diz o ditado: “o que os olhos não veem o coração não sente”. Mas se não vermos o que está acontecendo, a catástrofe será maior do que a que já se previa que poderia acontecer.
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