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Olaf Scholz, chanceler alemão, fez a coisa certa quando cedeu às pressões domésticas e internacionais, e finalmente resolveu enviar tanques “Leopard” para a Ucrânia. Certamente não foi uma decisão fácil, já que esses blindados são as joias do exército alemão. Observar a reação e eficiência desses tanques em operação na Ucrânia pode gerar enorme confiança ou decepção em cima da capacidade operacional do veículo. Essa preocupação é essencialmente compartilhada entre militares alemães de alto nível, mas não tanto entre os membros do gabinete de Olaf Scholz.
Tendo durante tantos anos sido dependente do gás russo, Scholz constata o que o resto da Europa percebeu há um ano: o afastamento da Rússia é pra valer.
Não há uma nostalgia alemã dos dias em que o gás russo fluía nas tubulações da Renânia Vestfália, da Bavária e da Baixa Saxônia. O que há é uma cautela relacionada ao medo da guerra começar a fugir do controle, de uma forma irreversível. Scholz teme que a entrega dos “Leopards” leve a um espiral que consuma cada vez mais materiais militares alemães. Se por um lado, ninguém precisa ser Nobel da Paz para compreender que a ajuda aos ucranianos representa uma ajuda à democracia, por outro, Scholz sabe que a cada tanque enviado à Ucrânia, ele precisa mais que nunca que a Rússia não vença a guerra.
A decisão de enviar os tanques foi uma decisão difícil, mas não foi tomada só. O presidente norte-americano Joe Biden também colocou a cara a tapa quando aprovou o envio de tanques M1 Abrams à Ucrânia. Essa decisão faz a de Scholz parecer mais fácil, dilui um pouco a pressão, mas dobra a raiva e o desespero de Putin.
A Ucrânia, obviamente, necessita mais e mais. Está claro que nem Rússia ou Ucrânia são fortes o suficiente para vencer o oponente. O fato de Kiev precisar recuperar territórios, faz com que sua necessidade de armamentos para contra-ataques seja mais imediato e impactante.
Mal a tinta da caneta da assinatura de Scholz para enviar tanques “Leopard 2” secou, a Ucrânia já colocou na mesa uma demanda mais ousada, robusta e que, sim, poderia virar totalmente a balança da guerra a seu favor. Mas também aumentaria consideravelmente a possibilidade da guerra extrapolar as fronteiras ucranianas. Numa expectativa ousada, porém compreensível, os ucranianos agora querem uma coalizão de caças de diversos países da OTAN, para a formação de uma força aérea de combate sem precedentes desde o pós-guerra. Os EUA contribuiriam com F-16s, o Reino Unido com Tornados, Suécia com seus Gripens, França com os Rafales e espanhóis e italianos enviando seus Eurofighters.
Guerra europeia
Se hipoteticamente isso acontecesse, a Ucrânia teria uma vantagem aérea que possivelmente viraria a balança para seu lado. Justamente por isso, a Rússia poderia “apelar” para jogar por tudo ou nada. A apelação poderia envolver ataques, deliberados ou “sem querer” contra alvos da OTAN na Polônia, Romênia, Letônia, Lituânia e Estônia. Isso, sabemos, poderia desencadear uma guerra europeia.
Dificilmente Putin não entenderia isso como uma expressão clara de que a OTAN entrou na guerra. A linha vermelha que não deve ser cruzada, para Putin é essa: a entrega de caças. Para a Ucrânia, os caças são exatamente o que eles desesperadamente precisam.
No entanto, é preciso viver um dia de cada vez e observar a reação russa ao desempenho dos M1 Abrams e Leopards em combate. Mais importante, ver como esses tanques podem afetar o rumo da guerra. Nos aproximamos de um afunilamento perigoso: Ucrânia precisa de mais, OTAN não consegue dar mais, Putin está sentindo a pressão da guerra e das sanções. A exposição do limite no qual todos se encontram não representa, necessariamente, uma aproximação a um cessar-fogo. Infelizmente, aparentam representar a aproximação de um estágio pior na guerra. |