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O sistema opioide desempenha um papel crucial na regulação do eixo intestino-cérebro, com implicações significativas para a composição da microbiota intestinal, permeabilidade intestinal, neuroinflamação e comportamento. A desregulação do sistema opioide — seja por meio de opioides endógenos (como endorfinas), opioides exógenos (como morfina ou peptídeos derivados de caseína, como beta-caseomorfina-7 - BCM-7) ou disfunção do receptor opioide — pode levar à disbiose e alterações relacionadas na função intestinal e cerebral (Rueda-Ruzafa et al., 2020). As proteínas beta-caseína constituem aproximadamente 30% da proteína total do leite de vaca e podem estar presentes como uma das duas principais variantes genéticas: A1 e A2. A beta-caseína A2 é reconhecida como a variante original da beta-caseína porque existia antes de uma mutação pontual de prolina para histidina causar o aparecimento da beta-caseína A1 em alguns rebanhos europeus há cerca de 5.000 a 10.000 anos. Uma vez que o leite ou os produtos lácteos são consumidos, a ação das enzimas digestivas no intestino na beta-caseína A1 libera o peptídeo opioide bioativo BCM-7. Em contraste, a beta-caseína A2 libera quantidades muito menores e provavelmente mínimas de BCM-7 em condições intestinais normais. A BCM-7 pode desregular a função intestinal e de barreiras por vários mecanismos:
Pal et al., 2015
1. Comunicação do sistema opioide e do eixo intestino-cérebro O eixo intestino-cérebro é uma rede bidirecional que envolve o sistema nervoso, o sistema imunológico e a microbiota. Os opioides influenciam esse sistema por meio de: Receptores μ-opioides (MOR): encontrados no intestino e no cérebro, esses receptores modulam a dor, a motilidade e as respostas imunológicas. Receptores κ-opioides (KOR): ligados às respostas ao estresse e ao equilíbrio da microbiota intestinal. Receptores δ-opioides (DOR): afetam a integridade da barreira intestinal e as respostas inflamatórias.
2. Disbiose induzida pela disfunção do sistema opioide Disbiose se refere a um desequilíbrio na microbiota intestinal, geralmente caracterizada por: Diversidade microbiana reduzida Crescimento excessivo de bactérias patogênicas Depleção de bactérias benéficas (por exemplo, Lactobacillus, Bifidobacterium)
Os opioides contribuem para a disbiose por 3 mecanismos principais: Alteração da motilidade intestinal → Tempo de trânsito mais lento leva ao crescimento excessivo de bactérias no intestino delgado (SIBO). Afetação da produção de muco → Alterações na função da barreira intestinal aumentam a permeabilidade intestinal ("intestino permeável"). Modulação das respostas imunológicas → Aumento da inflamação promove condições neuroinflamatórias. 3. Opioides, inflamação e desregulação de neurotransmissores Aumento da permeabilidade ("intestino permeável") → Permite que endotoxinas bacterianas (por exemplo, lipopolissacarídeos - LPS) passem para a corrente sanguínea, desencadeando inflamação sistêmica. Alterações nos neurotransmissores causadas pela microbiota: Desregulação da dopamina e serotonina → Altera o humor e a função cognitiva. Desequilíbrio GABA/glutamato → Afeta a resiliência ao estresse e a neuroplasticidade. Neuroinflamação → A ativação crônica da microglia (células imunológicas do cérebro) pode contribuir para ansiedade, depressão e declínio cognitivo.
4. Implicações clínicas da disbiose mediada por opioides Constipação induzida por opioides (OIC): Um exemplo clássico de disbiose relacionada a opioides. Transtornos neuropsiquiátricos: Disbiose e disfunção do sistema opioide estão relacionadas ao transtorno do espectro autista (TEA), depressão e esquizofrenia. Dependência e desejos: Peptídeos derivados do intestino influenciam as vias de recompensa, contribuindo para a dependência de opioides e desejos por alimentos ricos em gordura/açúcar. 5. Estratégias terapêuticas potenciais Probióticos e prebióticos: Restauram o equilíbrio da microbiota (por exemplo, Bifidobacterium longum para reduzir a inflamação). Moduladores do receptor opioide: Agentes como naloxona/naltrexona podem modular o eixo intestino-cérebro. Intervenções dietéticas: Mudar para uma dieta de leite A2 (reduzindo a exposição à beta-caseomorfina-7) pode ajudar indivíduos sensíveis a opioides derivados de laticínios. Ou excluir totalmente os laticínios. Aprenda mais sobre microbiota e cérebro nos cursos online:
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