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A suplementação de creatina é uma prática amplamente utilizada e implementada por atletas e indivíduos fisicamente ativos com o objetivo de melhorar a potência anaeróbica e estimular o processo de síntese proteica e hipertrofia musculoesquelética. A creatina também possui atividades antioxidantes e citoprotetoras que, combinadas com a capacidade de restaurar os níveis de energia intracelular, também levaram à introdução desta prática em terapias para o tratamento de distúrbios cardiovasculares, neurológicos, metabólicos e musculares. Em estados fisiopatológicos em que os níveis intracelulares de creatina estão reduzidos, a suplementação de creatina demonstrou exercer importante ação neuromoduladora, contribuindo para o tratamento de transtornos de ansiedade e esquizofrenia e potencialmente para a prevenção das doenças de Parkinson, Alzheimer e Huntington. Da mesma forma, a suplementação de creatina tem sido usada para tratar a distrofia muscular e as miopatias inflamatórias idiopáticas em doenças do músculo esquelético, para melhorar a estabilização do sarcolema, a frequência de arritmias e a função contrátil no miocárdio e, em associação com o exercício físico, para aumentar o controle glicêmico em pacientes com diabetes mellitus tipo 2. A creatina possui benefícios cardoiovasculares pois é capaz de exercer ações antiinflamatórias no endotélio vascular e diminuir a rigidez arterial avaliada após exercício resistido. Considerando que a síntese de creatina endógena é responsável pelo aumento da demanda hepática nas reações de metilação que influenciam a síntese de homocisteína, tem sido sugerido ainda que a suplementação de creatina seria capaz de reduzir os níveis sanguíneos de homocisteína, exercendo influências positivas adicionais na função endotelial vascular. A avaliação da reatividade microvascular sistêmica mostra-se essencial na investigação da fisiopatologia das doenças cardiovasculares e metabólicas. A microcirculação cutânea é agora considerada um leito vascular acessível e representativo para a avaliação da reatividade e densidade da microcirculação sistêmica. Podem ser feitos exames de imagem com contraste de manchas a laser para a avaliação não invasiva da função endotelial microvascular sistêmica. Esta técnica não invasiva é eficaz na avaliação da reatividade microvascular sistêmica em pacientes que apresentam doenças cardiometabólicas. A densidade e a reatividade capilar e, portanto, a perfusão tecidual, estão intimamente correlacionadas com doenças cardiovasculares e metabólicas, incluindo hipertensão arterial, diabetes, obesidade e síndrome metabólica. Em estudo de Moraes e colaboradores (2014) a suplementação oral por uma semana de 20g de creatina em adultos jovens saudáveis e moderadamente ativos melhorou a reatividade microvascular sistêmica dependente do endotélio e aumentou a densidade e o recrutamento capilar da pele. Estes efeitos não foram concomitantes com alterações nos níveis plasmáticos de homocisteína, talvez pelo tempo curto de estudo.
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