A Decisão do Carrefour de não vender carnes provenientes do Mercosul foi alvo de repúdio por parte do Sistema FAEP (Federação da Agricultura do estado do Paraná). A FAEP classifica a decisão da multinacional francesa como absurda, já que a carnes brasileiras são produzidas observando rígidos protocolos sanitários e de qualidade.
Em razão disso, os produtos da pecuária brasileira são reconhecidos por sua excelência, por adotar severas exigências sanitárias, e exportados para nações como o Japão e outros países da União Europeia.
A suspensão foi anunciada na quarta-feira (20), por meio de um comunicado divulgado pelo CEO do Carrefour, o francês Alexandre Bompard. Ele argumenta que a medida está alinhada com preocupações ambientais e normas mais rigorosas exigidas na Europa.
Posteriormente, a rede varejista emitiu uma nota afirmando que a decisão de não comercializar carnes do Mercosul só vale para as unidades do grupo na França. A decisão tem como contexto um cenário de amplas manifestações que produtores rurais franceses vêm promovendo contra uma proposta de acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul. Iniciadas na última segunda-feira (18).
Os atos organizados pela FNSEA e pelo grupo Jovens Agricultores incluem bloqueios de rodovias e fogos em objetos. A decisão da rede atacadista foi questionada pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Deputado Pedro Lupion.
Várias entidades ligadas à pecuária no Brasil se manifestaram contrárias a decisão do Carrefour. No último sábado (23), representantes de 44 associações da cadeia produtiva brasileira assinaram uma carta aberta ao executivo francês sobre a qualidade das carnes produzidas no Mercosul. Os principais frigoríficos brasileiros (JBS e Masterboi) suspenderam o fornecimento ao Carrefour.
O Carrefour, que também comanda a rede Atacadão, nega que haja desabastecimento em suas lojas no momento.
Reportagem: Marlon Santiago
|