Um estudo recente do Instituto Trata Brasil aponta que o Paraná é um dos estados com melhores indicadores de saneamento básico. De acordo com a pesquisa realizada com base nos microdados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 (IBGE), 86,9% dos paranaenses têm acesso à água tratada. Entretanto, a falta de água tratada ou sistema de coleta de esgoto interfere na qualidade de vida de pessoas de comunidades carentes ou de zonas rurais.
O infectologista pediátrico, vice-diretor técnico e coordenador de ensino do Hospital Pequeno Príncipe, dr. Victor Horácio, explica alguns dos impactos da falta de saneamento básico. Ele destaca que a exposição das crianças à água contaminada pode gerar casos de autoinfecção.
Segundo a Trata Brasil, em 2024, mais de 14 mil crianças no Paraná foram internadas ou tratadas na rede de saúde pública e privada devido a doenças relacionadas ao saneamento inadequado, como dengue, diarreia e cólera. O infectologista ainda destaca a importância de cuidados extras na higiene das crianças e de políticas de educação ambiental.
A falta de saneamento básico também interfere no desempenho escolar das crianças. De acordo com o Trata Brasil, as doenças de veiculação hídrica causam o afastamento das crianças das atividades escolares, o que afeta o desenvolvimento cognitivo a longo prazo, principalmente na primeira infância. O gerente geral da SANEPAR em Curitiba e região, Fábio Basso, explica como a empresa está investindo para aumentar o alcance das estratégias de saneamento.
Ele também destaca outros índices em comparação a nível nacional; no Brasil, a taxa de incidência de doenças de veiculação hídrica na primeira infância é de cerca de 17%. No Paraná, a média é de 14%. Esses dados também estão disponíveis no estudo do Instituto Trata Brasil.
Embora o Paraná esteja acima da média nacional em termos de cobertura de saneamento, a realidade de muitas áreas rurais e periferias urbanas ainda requer atenção e cuidado.
Reportagem: Giovanna Mateus com supervisão de Francine Lopes
|