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"Mestres do meu universo" foi a primeira exposição a solo da artista e activista angolana Pamina Sebastião, na galeria Jahmek. Trata-se da continuação do projecto que iniciou em 2019, um processo de auto-reflexão que se chama Só belo mesmo. Um projecto que passa por escritos, colagens e desenhos.
Pamina Sebastião vive em Luanda é jurista e mestre em Direito Internacional e Relações Internacionais, dedica-se ao activismo há vários anos. "Antes de tudo sou activista e uso a arte como ferramenta do meu activismo", apresenta-se Pamina Sebastião. "Mestres do meu universo?" é a primeira exposição a solo da artista. Trata-se da continuação do projecto que iniciou em 2019, um processo de auto-reflexão que se chama Só belo mesmo. Um projecto que passa por escritos, colagens, desenhos.
"A ideia é trazer algumas das perguntas ou dos questionamentos que tenho ligados à colonialidade do poder, ligadas às construções de categorias de géneros, da questão da sexualidade e trazer estas questões ao público", explica.
Pamina Sebastião acredita que houve "uma evolução entre o que pensamos ser o colonialismo, de um tempo histórico e a colonialidade, uma estrutura global que continua a alimentar categorias como a de género, de raça, de classe". Um exercício feito olhando para questões de raça, género, sexualidade como inscrições feitas ao longo do tempo sobre aquilo que chamamos corpo.
Por outras palavras, Pamina Sebastião defende existir uma estrutura de poder alimentada por ideias "do que somos, do que é ser homem, do que é ser mulher... Uma estrutura racista, patriarcal, capitalista que alimenta estas categorias, para se manter no poder. É particularmente importante falar disto num contexto como o de Luanda, que não tem debates aprofundados de como é que o ideal da branquitude ainda continua a ser uma realidade e de como o racismo ainda acontece aqui".
Pamina Sebastião fez parte de vários colectivos e organizações ligadas a questões de género e sexualidade: o Ondjango Feminista, o Arquivo de Identidade Angolano e o projecto LINKAGES Angola. Hoje faz parte também da direcção da The Other Foundation, uma organização LGBTIQ'+ regional fazendo também consultoria de estigma e discriminação a nivel nacional . No geral tem trabalhado num activismo focado em discussões de género e sexualidade. |