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Carmen Souza e Theo Pas'cal estiveram em Paris para abrir o Festival Au Fil des Voix, que traz músicas do Mundo à capital francesa, num concerto na mítica sala La Cigale. Aos microfones da RFI, Carmen Souza, cantora luso-cabo-verdiana, falou do seu novo álbum, "Interconnectedness", e da cumplicidade entre França e Cabo Verde.
Este novo trabalho, composto e produzido durante a pandemia, serve para nos lembrar, segundo Carmen Souza, do nosso lado humano, fora da rotina do quotidiano, que passa por diferentes emoções e que nem sempre nos deixa vivê-las plenamente.
"O 'Interconnecteness' fala de uma conexão humana e espiritual. Estamos numa sociedade muito rápida e que quase nos obriga a uma rotina robótica e somos quase máquinas. Então é preciso lembrarmo-nos que somos humanos e que existem dias de alegria e dias de tristeza, existem dias de vulnerabilidade, de comunhão e partilha. São estes pequenos detalhes que são simples, mas que nos esquecemos", afirmou a cantora.
No seguimento do álbum "The Silver Messengers", lançado no final de 2019, o novo trabalho "Interconnecteness" reflecte o período do confinamento, onde estes artistas aproveitaram para dar asas à experimentação, gravando o álbum em locais inesperados, mas também a introspecção longe dos palcos.
"Este álbum exprime a experimentação e a introspecção, fomos à procura da nossa essência e de perceber o que é que estamos aqui a fazer, o que é a nossa música, como podemos fazer diferente. O álbum reflecte toda essa procura", explicou.
Um dos exemplos desta experimentação e introspecção, é a música Kuadru Pintadu, em que Carmen Souza canta em cinco línguas.
"O Kadru Pintadu é uma tela, no fundo, em que todos fazemos parte dessa tela, todos nós temos um contributo, trazendo cores e texturas como se fosse um pintor que desse várias pinceladas diferentes, é uma tela com som. Onde nós todos com as nossas línguas - como eu sou uma apaixonada por línguas - também adicionamos a esta orquestra, como se fosse uma música línguas e neste tema canto em cinco línguas para mostrar essa diversidade e riqueza", indicou a cantora.
Carmen Souza participou no concerto de abertura do festival Au Fil des Voix, que decorre em Paris, e disse que há muita cumplicidade entre Cabo Verde e o público francês, ajudado pela diáspora cabo-verdiana em França.
"O último concerto que fizemos, antes da pandemia e de tudo fechar, foi em Paris. Então ficou aquele gostinho de algo por acabar, então é bom voltar a Paris e sentir o público. Cabo Verde, na realidade, está entre dois espaços: o espaço lusófono e o espaço francófono e existem muitos cabo-verdianos aqui e esta diáspora recebe dos dois lados. Claro que o público francês, no geral, tem uma apreciação muito grande pela música cabo-verdiana", concluiu |