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"Diálogos | Piano a 4 mãos" é o novo disco-duplo dos pianistas João Costa Ferreira e Bruno Belthoise. Um projecto que nasceu na Temporada Cruzada Portugal-França 2022, que reúne onze compositores dos dois países.
No repertório constam onze compositores portugueses e franceses, obras escritas para piano a quatro mãos e interpretadas pelos pianistas João Costa Ferreira e Bruno Belthoise. "Este projecto nasce no âmbito da Temporada Portugal-França e é realizado em torno de compositores portugueses e franceses", começa por explicar o pianista português, João Costa Ferreira.
"Diálogos | Piano a 4 mãos" reúne várias épocas da música, partindo do século XIX, XX até à contemporaneidade. "É muito importante interpretar obras de compositores vivos para desenvolver os repertórios português e francês. É importante encomendar obras novas e ter projectos originais", defende o pianista francês, Bruno Belthoise. Compositores românticos como Fauré, Camille Saint-Saëns, José Vianna da Motta, que neste disco tem uma obra gravada pela primeira vez, juntam-se a obras portuguesas contemporâneas e à obra do compositor belga, Jean-Pierre Deleuze.
"Diálogo" nasce de um projecto pensado desde 2016, após vários concertos na rádio portuguesa, Antena2. Foram organizados três recitais, com programas diferentes, para constituir este repertório. "Foi uma experiência íntima com a gravação ao vivo. Esta obra representa muito bem a nossa maneira de tocar", explica Bruno Belthoise.
"O facto de tocarmos piano a quatro mãos, de partilharmos o mesmo instrumento é quase um desafio. É um pouco diferente das outras formações de música de câmara; piano e flauta, piano e violino ou um quarteto de cordas. Há a parte da interpretação que varia consoante as obras. Esta formação gera desafios porque temos de cruzar braços, cruzar dedos, partilhar um espaço - tornando-nos malabaristas - temos de sentir a respiração um do outro e sentir as intenções musicais", descreve João Costa Ferreira.
Bruno Belthoise lembra que no início do século XX, "muitos compositores portugueses viajaram para França à procura de mais conhecimento, em termos de harmonia e de composição. Paris era o ponto mais importante da modernidade não só quanto à música, mas na pintura ou na literatura. Tudo começou com o musicólogo, compositor e maestro português, Francisco Lacerda, que foi o primeiro a entrar na escrita moderna em Portugal". João Costa Ferreira realça, ainda, "o cruzamento mútuo entre os compositores franceses e portugueses", lembrando que," como diz o Bruno, terão sido mais os compositores portugueses que terão sido influenciados pelo modernismo francês".
No tempo de Vianna da Motta, vários músicos como Hernâni Torres, Guilhermina Suggia, Óscar da Silva foram estudar para a Alemanha, graças ao mecenato do rei Dom Fernando II. "Esta foi uma época que deu muitos frutos, a nível musical em Portugal, porque os músicos portugueses começaram a ir estudar para fora do país, devido à injecção de capital e à construção do Sud-Express. Portugal abriu-se à Europa e houve a possibilidade dos músicos irem para fora aprender e voltar, numa espécie de importação de conhecimento", explica o pianista português.
A suíte “Ein Dorffest”, de José Vianna da Motta foi gravada pela primeira vez neste disco "Diálogos | Piano a 4 mãos" de João Costa Ferreira e Bruno Belthoise. "Existe sempre património que está em risco de desaparecer. É preciso fazer um trabalho de recolha para que esse património não desapareça", defende o pianista português.
João Costa Ferreira tem vindo a desenvolver um trabalho em torno do compositor Vianna da Motta, publicando a sua obra e editando-a, revendo manuscritos e gravando-a. "A gravação é um suporte muito importante para dar a conhecer uma parte do património que tem vindo a ser esquecido e que corre o risco de desaparecer", conclui. |