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A arte contemporânea portuguesa em destaque em Bordéus

Category: Arts
Duration: 00:10:04
Publish Date: 2022-09-28 08:05:45
Description: Até Fevereiro do próximo ano, o Frac Bordéus acolhe a exposição “Les Péninsules Démarrées”, o panorama da arte contemporânea portuguesa desde 1960. A curadoria ficou a cargo de Anne Bonnin. O título vem do poema “Le bateau ivre” de Arthur Rimbaud, que explica o movimento artístico e os seus ziguezagues para se libertar das amarras da ditadura. Até Fevereiro do próximo ano, o Frac Nouvelle-Aquitaine MÉCA – Bordéus acolhe a exposição “Les Péninsules Démarrées”, o panorama da arte contemporânea portuguesa desde 1960. Uma exposição colectiva, que conta com 135 obras de 29 artistas portugueses ou ligados a Portugal, de gerações e horizontes diferentes. A curadoria ficou a cargo de Anne Bonnin. O título vem do poema “Le bateau ivre” de Arthur Rimbaud, que explica “maravilhosamente” o movimento artístico e os seus ziguezagues para se libertar das amarras da ditadura. Anne Bonnin é crítica de arte e curadora. Em 2019, organizou a primeira exposição retrospectiva em França da artista portuguesa Lourdes Castro. Um passo importante para esta descoberta dos artistas portugueses, que acabou por a conduzir também a esta exposição. “Porquê Portugal? Na verdade, é uma história de curadoria e de encontros com artistas e, uma coisa levou à outra, entrei nesta história, descobri artistas, há artistas com quem já trabalhei, como o Francisco Tropa ou o Jorge Queiroz. Portanto, é uma história, na qual eu gradualmente entrei durante as minhas viagens e que se concretizou, primeiro, com a exposição de Lourdes Castro. Como uma coisa levou a outra, aqui estou eu, a mostrar artistas que descobri durante as minhas viagens, artistas de diferentes gerações. Ao entrar nesta história, surgiu-me a ideia de apresentar, de trazer um olhar, de entrar numa história e descobrir as bases da arte actual. Portanto, não é uma abordagem histórica, mesmo que esta exposição tenha muitos aspectos históricos que fazem parte da história contemporânea da arte portuguesa e também internacional. A ideia era olhar para uma arte actual, mas também de olhar para a arte actual através de alguns artistas importantes que começam a ser activos nos anos 60 e que continuam a sua carreira até aos anos 2000. Os artistas mais velhos, a maioria nasceu nos anos 30 e já morreram. Lourdes Castro e Paula Rego, como sabem, desapareceram este ano. Conhecermos melhor alguns artistas mais jovens foi um dos motivos também para entrar nesta história. Como Jorge Queiroz ou Leonor Antunes que está na colecção do FRAC, o Francisco Tropa, que tem uma exposição no Museu de Arte Moderna [em Paris] este ano. A Ana Jotta que será convidada do Festival de Outono. Eis vários nomes que são familiares, mas acho que a maioria dos artistas não o são. Então esta história também faz com que seja interessante voltar atrás, dar uma perspectiva da arte contemporânea, mas ao percorrer uma grande variedade de formas, que não são intuitivas, mas que em qualquer caso estejam ligadas de forma digressiva e por associação. A disposição das obras reflecte precisamente esta ideia de uma conversa entre artistas de diferentes gerações que apesar disso têm um certo número de afinidades. Penso que as afinidades, tanto através de artistas de diferentes gerações, como também as afinidades entre artistas da mesma geração acabam por sobressair sem que haja necessidade de as meter em evidência.”  Francisco Tropa, Álvaro Lapa, Malangatana, Armanda Duarte, Jorge Queiroz… uma viagem entre o passado e o presente neste espaço aberto à interpretação. “Na verdade, cruzo duas perspectivas, uma mais histórica e outra mais temática. A primeira sala, por exemplo, evoco o contexto, com dois artistas, de uma situação histórica nos anos 70 e sob a ditadura de Salazar. Depois, a relação com a literatura é algo muito preponderante entre os artistas dos anos  60, mas ainda hoje, acho até que o Jorge Queiroz é um exemplo disso. Depois, a poesia experimental que faz parte de um movimento internacional, mas que os portugueses foram precursores, é a poesia como uma experiência plástica e experiência linguística e experiência ética e política também. A seguir a imagem, porque acho que a arte tem sempre uma relação com a imagem, a imagem como um enigma, como memória, a memória do presente e a memória do passado. Depois, outro tema é a vida quotidiana: o  mundo das pequenas coisas que se refere a esta noção de pequena, pequena coisa, pequeno país, a vida quotidiana nestes aspectos detalhados. Outro tema ainda é o corpo e as suas metamorfoses, e finalmente autorrepresentação e algumas monografias.  Escolhi mostrar um conjunto de artistas, uma espécie de mini monografias na exposição. Por exemplo, queria mostrar o Jorge Queiroz que trabalha com Nathalie Obadia mas que, creio, nunca teve uma grande exposição numa instituição francesa.” Foi no dia desta reportagem que Jorge Queiroz viu, pela primeira vez, a escolha de Anne Bonnin para a disposição e interacção dos seus trabalhos “São trabalhos feitos em diferentes tempos. É sempre interessante e estranho ver os trabalhos expostos por alguém e relacionados com as obras que estão à volta da exposição outros artistas. Criam surpresas e fazem aparecer coisas uns dos outros."  A exposição “Les Péninsules Démarrées”, o panorama da arte contemporânea portuguesa desde 1960, estará patente até ao dia 26 de Fevereiro de 2023, no Frac Nouvelle-Aquitaine MÉCA – Bordéus e integra a programação da Temporada Cruzada Portugal-França.
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