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Fotografar o “instante decisivo” para o ambiente

Category: Arts
Duration: 00:11:20
Publish Date: 2022-08-16 13:53:57
Description: Anésio Manhiça quer captar o “instante decisivo” para o ambiente e despertar consciências através da imagem. O jovem moçambicano levou os sacos de plástico das ruas para as fotografias e criou "naturezas mortas" contemporâneas que alertam para a morte lenta da própria natureza. O objectivo é despertar as pessoas para a urgência ecológica. Como pensar no ambiente quando a preocupação é ter comida? Anésio Manhiça acredita no poder da arte e da transmissão. A fotografia é uma prática recente que o moçambicano, de 30 anos, aliou ao seu trabalho antropológico e sociológico para despertar consciências e, quem sabe, ajudar a mudar comportamentos. “Eu tenho tentado centrar a minha fotografia no meio ambiente. No contexto mais africano, a nossa preocupação é ter o que comer, ter o que vestir e não necessariamente pensar o futuro do mundo e como é que o ambiente está. A questão do ambiente não se torna um assunto central em muitas das nossas famílias. Daí que eu pensei usar a fotografia para não só mostrar a imagem, mas também produzir uma narrativa importante para que as pessoas comecem a ter mais informação sobre acções que podem perigar o meio ambiente. A fotografia pode ser esse veículo”, conta à RFI. Anésio Manhiça é investigador na Kaleidoscopio – Pesquisa em Políticas Públicas e Cultura, em Maputo, e tirou o seu mestrado em Antropologia Social na Universidade Paris 8, em França, depois de uma licenciatura também em Antropologia Social na Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique. Por isso, a fotografia cruza as suas áreas de investigação com o próprio activismo. “A minha ideia é realmente misturar a arte e o activismo. Quero tentar misturar também com uma compreensão mais social do processo. Quero misturar com coisas mais de base, entrando na componente antropológica e sociológica. Poder captar a imagem e depois usá-la para consciencializar e fazer com que a informação chegue”, afirma. Anésio Manhiça tira fotografias com telemóvel para se poder inserir em vários espaços, sem criar distância com as pessoas à volta, e para fotografar de forma livre e espontânea. No fundo, uma certa busca do tal “instante decisivo”, formulado pelo mítico Henri Cartier-Bresson, em 1952. Em 2021, Anésio Manhiça venceu o prémio de fotografia “Katla”, da Associação Cultural Kulungwana, e classificou-se em terceiro lugar num outro concurso de fotografia organizado pela UN-Habitat em parceria com o Conselho Municipal da Cidade da Beira. Em Junho, ele inaugurou a primeira mostra individual intitulada “As vidas do saco plástico em Maputo”, depois de ter participado em duas exposições colectivas: “As viagens do plástico”, nos Caminhos de Ferro de Moçambique, em Maputo, e “Adaptar as cidades de Moçambique para a Resiliência Climática”, no parque das infra-estruturas verdes do rio Chiveve, na cidade da Beira. “O meu trabalho mais recente é 'As vidas do saco plástico'. Nele, eu tento explorar como é que, no dia-a-dia, os moçambicanos se relacionam com o saco plástico. Tento mostrar o uso do plástico no espaço doméstico: usado para fazer o fogo, para cozinhar. É também usado como tampa quando se confecciona arroz ou milho, muitas famílias cobrem o arroz com saco plástico. São práticas que, de alguma forma, nos fazem ingerir o plástico de forma involuntária, pouco a pouco, vamos apanhando aquelas micropartículas. Mas também tem todo o cenário do descarte do próprio saco plástico, na rua, próximo da costa e que depois vai para o oceano”, descreve. O saco de plástico não se esgota aí. Anésio Manhiça explora,ainda, a “reciclagem” do saco transformado em bola de futebol. Visualmente, o plástico, que à partida é lixo, passa a ganhar valor pela forma como é esteticamente retratado e também por ser, simplesmente, o objecto central de fotografias que vão ser expostas. Com isso, Anésio Manhiça espera despertar consciências sobre “qual a implicação daquilo para o meio ambiente e para a saúde”. Tanto mais que Moçambique está a estudar as possibilidades de proibir, nos próximos anos, a venda de sacos de plástico.  
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